O eclipse solar total de 12 de agosto de 2026 promete transformar o céu em diferentes pontos do Hemisfério Norte, mas acompanhar o fenômeno exige cuidados que começam antes mesmo de olhar para cima. Usar óculos escuros comuns, improvisar filtros ou apontar o celular diretamente para o Sol pode colocar a visão e os equipamentos em risco.

O alerta vale inclusive para os momentos em que a maior parte do disco solar estiver encoberta. Enquanto qualquer porção brilhante do Sol permanecer visível, a radiação ainda pode atingir a retina e provocar uma lesão conhecida como retinopatia solar — muitas vezes sem dor imediata.

A única exceção ocorre durante a breve fase de totalidade, quando a Lua cobre completamente a face luminosa do Sol. Fora desse intervalo, a proteção adequada deve permanecer diante dos olhos.

Leia mais:

Eclipse lunar poderá ser visto no Brasil na madrugada de 28 de agosto

Onde o eclipse solar total de agosto será visto?

O eclipse de 12 de agosto de 2026 atravessará uma longa faixa que inclui o norte da Rússia, a Groenlândia, a Islândia, o Oceano Atlântico, a Espanha e uma pequena região de Portugal.

A totalidade, porém, estará restrita a essa faixa relativamente estreita. Em outras áreas do Hemisfério Norte, o fenômeno será parcial, com a Lua cobrindo apenas uma parte do Sol.

Regiões do Canadá, dos Estados Unidos, da Europa e do noroeste da África também poderão acompanhar alguma etapa do eclipse. Em partes da Europa e da África, o Sol deverá se pôr ainda parcialmente encoberto, criando um eclipse próximo ao horizonte.

Quanto tempo durará a totalidade?

Para a maior parte das localidades situadas na faixa central, a fase total durará menos de dois minutos. Nas áreas mais próximas do centro do caminho da sombra, o período poderá ultrapassar ligeiramente essa marca, mas permanecerá abaixo de dois minutos e meio.

É justamente nesse pequeno intervalo que o observador localizado dentro da faixa de totalidade poderá retirar os óculos de eclipse. A proteção deverá ser recolocada imediatamente quando o primeiro ponto luminoso do Sol voltar a aparecer.

Por que olhar para o eclipse pode prejudicar a visão?

O risco não surge porque o eclipse torna o Sol mais perigoso. A luz solar continua sendo intensa o suficiente para danificar os tecidos sensíveis do olho, mesmo quando uma grande parcela do disco está escondida pela Lua.

Ao olhar diretamente para o Sol, a lente natural do olho concentra a radiação sobre a retina. Essa estrutura localizada no fundo do globo ocular é responsável por transformar a luz em sinais enviados ao cérebro.

A exposição pode lesionar principalmente a mácula, região relacionada à visão central e à percepção de detalhes. O problema é chamado de retinopatia solar.

A lesão pode acontecer sem dor

Um dos aspectos mais preocupantes é que a pessoa pode não sentir dor enquanto o dano está ocorrendo. A retina não possui receptores de dor capazes de emitir um alerta imediato semelhante ao provocado por uma queimadura na pele.

Os sinais podem surgir horas depois. Entre eles estão visão embaçada, manchas escuras ou claras no centro do campo visual, dificuldade para ler, sensibilidade à luz e distorção das formas.

A Academia Americana de Oftalmologia alerta que observar o Sol sem a proteção correta, mesmo por pouco tempo, pode causar danos permanentes à retina. Alguns pacientes apresentam melhora gradual, mas determinadas lesões podem deixar sequelas na visão central.

Óculos escuros comuns não protegem durante o eclipse

Nem mesmo os óculos de sol mais escuros são adequados para observar diretamente um eclipse. Eles foram desenvolvidos para reduzir o desconforto provocado pela luminosidade cotidiana, não para permitir que alguém encare o disco solar.

Os óculos próprios para eclipses utilizam filtros muito mais escuros, capazes de bloquear praticamente toda a luz visível, além de reduzir níveis potencialmente perigosos de radiação ultravioleta e infravermelha.

De acordo com a NASA, os visualizadores solares seguros são milhares de vezes mais escuros que óculos de sol convencionais. Eles devem atender aos requisitos da norma internacional ISO 12312-2, criada para filtros destinados à observação direta do Sol.

Também não devem ser utilizados como proteção:

  • óculos de sol sobrepostos;
  • negativos fotográficos;
  • chapas de raio X;
  • vidro escurecido;
  • máscaras de solda sem especificação adequada;
  • CDs, DVDs ou embalagens metalizadas;
  • filtros improvisados com papel ou plástico.

Esses materiais podem reduzir parte da luz visível e dar uma falsa sensação de segurança, sem bloquear adequadamente outras faixas de radiação.

Como saber se os óculos de eclipse são realmente seguros?

Encontrar a inscrição “ISO 12312-2” na embalagem é importante, mas não é uma garantia absoluta. Fabricantes de produtos falsificados também podem imprimir a identificação da norma sem que o filtro tenha sido submetido aos testes necessários.

A American Astronomical Society recomenda comprar os visualizadores diretamente de fabricantes avaliados ou de revendedores autorizados. Produtos encontrados sem procedência clara em anúncios e plataformas de comércio eletrônico exigem atenção redobrada.

Antes do uso, o observador deve inspecionar as lentes. Óculos com riscos, furos, rasgos, vincos profundos ou filtros soltos da armação precisam ser descartados.

Um teste simples ajuda a identificar filtros suspeitos

Dentro de casa, praticamente nada deverá ser visível através de um filtro solar adequado. No máximo, luzes extremamente intensas poderão aparecer de forma muito fraca.

Ao ar livre, o ambiente também deverá permanecer escuro. Quando direcionado ao Sol, o filtro deve revelar apenas um disco bem definido e com brilho confortável, cercado por um fundo escuro.

Esse teste pode ajudar a identificar produtos claramente inadequados, mas não substitui a confirmação da procedência. Apenas uma avaliação laboratorial consegue verificar se o material também bloqueia corretamente as radiações invisíveis.

Quando é possível retirar os óculos?

Os óculos somente podem ser retirados por quem estiver dentro da faixa de totalidade e depois que a Lua cobrir completamente a face brilhante do Sol.

A indicação prática é observar através do filtro. Quando nenhuma parte luminosa do Sol estiver mais visível, começa a totalidade e a proteção pode ser retirada.

Nesse momento, será possível contemplar a coroa solar, a atmosfera externa do Sol que normalmente fica escondida pelo brilho intenso do disco. Assim que um ponto luminoso reaparecer, os olhos devem ser protegidos novamente.

Quem estiver fora da faixa de totalidade verá apenas um eclipse parcial. Nesse caso, não existirá nenhum momento seguro para olhar diretamente sem o filtro apropriado. Mesmo com 99% do Sol encoberto, a pequena parcela restante ainda será intensa e perigosa.

Câmeras, celulares, binóculos e telescópios exigem outro tipo de filtro

Colocar óculos de eclipse diante dos olhos e, em seguida, olhar através de um telescópio ou de um binóculo é extremamente perigoso.

As lentes desses equipamentos concentram a luz solar. O calor e a radiação acumulados podem atravessar ou danificar rapidamente o pequeno filtro dos óculos, atingindo os olhos com intensidade ainda maior.

Câmeras, telescópios e binóculos precisam de filtros solares específicos, instalados de maneira segura na parte frontal do equipamento, antes que a luz entre nas lentes. Filtros posicionados apenas na ocular não são suficientes.

A NASA recomenda procurar orientação especializada antes de usar qualquer sistema óptico para acompanhar ou fotografar o eclipse.

Fotografar com o celular também exige cuidado

Apontar a câmera do smartphone brevemente para o céu não significa necessariamente que ela será danificada, mas manter o aparelho diretamente voltado ao Sol, especialmente com zoom óptico ou lentes acopladas, aumenta o risco para o sensor.

Além disso, o usuário pode olhar acidentalmente para o Sol enquanto tenta enquadrar a imagem. A forma mais segura é usar filtros apropriados para o equipamento, manter os olhos protegidos durante as fases parciais e evitar improvisações.

Como observar o eclipse sem olhar diretamente para o Sol?

Quem não tiver acesso a óculos confiáveis poderá utilizar métodos de projeção indireta. Um dos mais simples é o projetor de orifício, também conhecido como câmera pinhole.

Um pequeno furo feito em papel, papelão ou folha de alumínio permite projetar a imagem do Sol sobre uma superfície clara. A pessoa deve permanecer de costas para o astro e observar apenas a projeção.

Nunca se deve olhar para o Sol através do furo.

Durante um eclipse parcial, até objetos do cotidiano podem produzir várias imagens do crescente solar. Uma escumadeira, uma peneira ou os pequenos espaços entre as folhas de uma árvore funcionam como projetores naturais.

Crianças precisam de supervisão durante todo o fenômeno

Óculos de papel podem sair facilmente do lugar ou não se ajustar ao rosto de uma criança. Por isso, um adulto deve verificar o encaixe e acompanhar todo o período de observação.

O ideal é orientar a criança a colocar os óculos antes de olhar para cima e virar o rosto novamente para o chão antes de retirá-los.

Outra alternativa é construir um projetor de papelão e acompanhar a imagem indireta do eclipse. A atividade reduz o risco e ainda permite explicar de maneira prática como a Lua bloqueia a luz solar.

O que fazer após olhar para o Sol sem proteção?

Quem observar o eclipse sem proteção e perceber alterações visuais deve procurar avaliação de um oftalmologista. Os sintomas podem não surgir imediatamente e também podem afetar um olho de maneira diferente do outro.

Os principais sinais de alerta incluem:

  • mancha no centro da visão;
  • visão embaçada ou escurecida;
  • linhas que parecem tortas;
  • dificuldade para reconhecer detalhes;
  • alteração na percepção das cores;
  • sensibilidade incomum à luz.

Não existe um tratamento doméstico capaz de reverter uma lesão na retina. Também não é recomendável esperar vários dias para descobrir se a visão voltará ao normal. Uma avaliação médica permite identificar a extensão do problema e descartar outras causas para os sintomas.

Preparação é a principal medida de segurança

O eclipse solar total de agosto será um dos eventos astronômicos mais aguardados de 2026, mas a experiência deve ser planejada com a mesma atenção dedicada ao local e ao horário.

O observador precisa confirmar se estará dentro ou fora da faixa de totalidade, adquirir filtros de procedência confiável, inspecionar os óculos e preparar antecipadamente os equipamentos fotográficos.

A regra central é simples: enquanto qualquer parte brilhante do Sol estiver visível, os olhos devem permanecer protegidos. Somente durante a totalidade completa, e apenas para quem estiver dentro da faixa correspondente, será possível retirar brevemente os óculos.


Perguntas frequentes

Posso olhar para o eclipse usando óculos de sol?

Não. Óculos de sol comuns, mesmo muito escuros ou polarizados, não bloqueiam a quantidade necessária de luz e radiação para a observação direta do Sol.

Qual óculos é indicado para observar um eclipse solar?

O visualizador deve ser desenvolvido especificamente para observação solar, atender à norma ISO 12312-2 e ser adquirido de fabricante ou revendedor confiável.

É seguro olhar para o eclipse pela câmera do celular?

A tela pode reduzir o risco de olhar diretamente para o Sol, mas o usuário ainda pode se expor durante o enquadramento. Além disso, manter a câmera apontada para o Sol pode danificar o sensor. Filtros próprios para equipamentos devem ser usados.

Quando os óculos podem ser retirados em um eclipse total?

Somente durante a totalidade, quando a Lua encobrir completamente a face brilhante do Sol. Assim que qualquer ponto luminoso reaparecer, a proteção deve ser recolocada.

Um eclipse parcial pode ser observado sem óculos?

Não. Em um eclipse parcial não existe fase de totalidade. Portanto, a proteção adequada deve ser utilizada durante todo o período de observação direta.

Como observar o fenômeno sem óculos de eclipse?

É possível usar métodos indiretos, como um projetor feito com papelão e um pequeno orifício. A imagem do Sol deve ser projetada sobre outra superfície, sempre com o observador de costas para o astro.

Quais são os sintomas de danos causados pelo Sol?

A pessoa pode apresentar visão borrada, manchas centrais, distorção das imagens, alterações nas cores e sensibilidade à luz. Os sintomas podem surgir algumas horas depois da exposição.