Quem olhar para o céu durante a madrugada desta sexta-feira, 31 de julho, poderá acompanhar o pico de duas chuvas de meteoros ativas ao mesmo tempo. O fenômeno será visível no Brasil, embora o brilho intenso da Lua quase cheia possa esconder os rastros mais fracos.
As Delta Aquáridas do Sul podem produzir, em condições ideais, até 25 meteoros por hora. Já as Alfa Capricornídeas apresentam uma atividade menor, mas são conhecidas por gerar bolas de fogo mais brilhantes, capazes de chamar a atenção mesmo em um céu parcialmente iluminado.
A observação não exige telescópio, binóculo ou qualquer equipamento especial. O principal desafio será encontrar um lugar escuro, com horizonte amplo e poucas nuvens.
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Duas chuvas de meteoros estarão ativas ao mesmo tempo
O espetáculo desta madrugada não está relacionado a uma única chuva de meteoros.
As Delta Aquáridas do Sul e as Alfa Capricornídeas atingem o período de maior atividade entre a noite de 30 de julho e a madrugada de 31 de julho de 2026. As duas permanecem ativas por vários dias, portanto ainda será possível observar alguns meteoros depois do pico.
Delta Aquáridas do Sul
As Delta Aquáridas do Sul estão ativas entre 12 de julho e 23 de agosto. Em condições ideais, longe das luzes urbanas e com o céu completamente escuro, a taxa zenital pode chegar a aproximadamente 25 meteoros por hora.
Isso não significa que cada observador verá exatamente essa quantidade. A estimativa considera um céu perfeito, o ponto de origem aparente dos meteoros no alto e ausência de obstáculos ou luminosidade.
Os meteoros dessa chuva costumam ser relativamente rápidos e discretos. Eles atravessam a atmosfera a cerca de 41 quilômetros por segundo e, em muitos casos, deixam rastros menos brilhantes.
Alfa Capricornídeas
As Alfa Capricornídeas estão ativas entre o começo de julho e meados de agosto. Sua taxa costuma ficar próxima de cinco meteoros por hora, número bem inferior ao das Delta Aquáridas.
O diferencial está no brilho. Essa chuva é conhecida pela ocorrência de meteoros lentos e bolas de fogo, nome dado aos eventos excepcionalmente luminosos.
Por isso, mesmo com a interferência da Lua, uma Alfa Capricornídea mais intensa poderá ser percebida com facilidade. A chuva pode ser observada tanto no Hemisfério Sul quanto no Hemisfério Norte.
Qual é o melhor horário para observar?
A observação pode começar por volta da meia-noite, mas as chances aumentam durante a madrugada, especialmente depois da 1h30.
Nesse período, a região do céu de onde os meteoros parecem surgir estará mais bem posicionada. Quanto mais alto estiver esse ponto, maior será a quantidade de meteoros potencialmente visíveis.
Não é necessário olhar apenas para a constelação de Aquário ou para Capricórnio. Os meteoros podem atravessar diferentes partes do céu, embora seus rastros, quando projetados para trás, pareçam partir dessas regiões.
O ideal é permanecer no local por pelo menos 30 minutos. Os olhos precisam de tempo para se adaptar à escuridão, e os meteoros podem surgir em intervalos irregulares.
A chuva de meteoros poderá ser vista de todo o Brasil?
O fenômeno poderá ser observado em diferentes regiões brasileiras, desde que o céu esteja aberto.
As condições meteorológicas, no entanto, podem variar bastante. Locais com muitas nuvens, chuva, neblina ou forte iluminação urbana terão menos chances de oferecer uma boa visualização.
Na previsão consultada para o evento, áreas do Centro-Oeste, do interior do Nordeste, do Tocantins, do leste do Pará, de Minas Gerais e de Goiás apareciam com condições mais favoráveis de nebulosidade. A situação pode mudar ao longo da noite, por isso é importante consultar a previsão da própria cidade antes de sair.
Moradores de capitais também poderão tentar observar. Nesse caso, a recomendação é procurar parques, áreas rurais, mirantes ou bairros mais afastados de grandes avenidas e prédios iluminados.
Lua quase cheia será o principal obstáculo
A Lua estará com aproximadamente 98% do disco iluminado durante o pico das duas chuvas de meteoros. Isso deve reduzir significativamente a visibilidade dos eventos mais fracos.
O efeito ocorre porque a luz refletida pela Lua clareia o céu e diminui o contraste dos rastros luminosos. É semelhante ao que acontece com as estrelas em uma região urbana: elas continuam no céu, mas muitas deixam de ser percebidas.
A International Meteor Organization já apontava que as condições lunares seriam desfavoráveis para a observação das Delta Aquáridas do Sul no fim de julho de 2026.
Ainda assim, meteoros brilhantes e eventuais bolas de fogo podem superar a luminosidade lunar.
Uma estratégia simples é posicionar-se de modo que a Lua fique atrás de uma árvore, construção ou montanha. Também vale direcionar o olhar para uma região distante dela.
Como observar a chuva de meteoros
Não é preciso saber identificar constelações para acompanhar o fenômeno. Alguns cuidados aumentam consideravelmente as chances de observação:
- procure um local seguro e distante da iluminação urbana;
- escolha uma área com visão ampla do céu;
- evite olhar diretamente para a Lua;
- desligue lanternas e diminua o brilho do celular;
- aguarde aproximadamente 20 a 30 minutos para os olhos se adaptarem;
- observe o céu a olho nu;
- permaneça no local por pelo menos meia hora.
Telescópios e binóculos não são indicados para esse tipo de observação porque mostram uma área muito pequena do céu. Como não é possível prever exatamente onde o próximo meteoro aparecerá, uma visão ampla é mais eficiente.
Uma cadeira reclinável ou uma toalha para deitar pode tornar a experiência mais confortável. Durante o inverno, também é importante levar agasalho, principalmente em áreas rurais ou abertas.
Será possível ver 25 meteoros por hora?
A taxa de 25 meteoros por hora representa uma estimativa obtida em condições ideais de observação. Na prática, o número visto por uma pessoa pode ser bem menor.
A luminosidade da Lua, a presença de nuvens, a poluição luminosa, a posição do observador e o tempo dedicado à observação influenciam diretamente o resultado.
Além disso, a estimativa está relacionada principalmente às Delta Aquáridas do Sul. Outros meteoros esporádicos e eventos associados às Alfa Capricornídeas também podem aparecer durante a madrugada.
Por isso, não existe garantia de que todos os observadores verão a mesma quantidade. Uma pessoa em uma área rural e com céu aberto poderá ter uma experiência completamente diferente de outra localizada no centro de uma grande cidade.
Estação brasileira já registrou centenas de meteoros
Antes mesmo do período principal do pico, uma estação da rede Exoss localizada no Ceará registrou 196 meteoros nesta quinta-feira, 30 de julho.
O número se refere aos eventos detectados por equipamentos de monitoramento, que conseguem registrar meteoros que nem sempre são percebidos por uma única pessoa a olho nu. Ainda assim, a atividade reforça que diversos fragmentos estão entrando na atmosfera durante esse período.
Redes de câmeras ajudam pesquisadores a calcular a trajetória, a velocidade e a provável origem dos meteoros. Os registros também permitem identificar bolas de fogo e possíveis fragmentos que tenham resistido à passagem pela atmosfera.
Por que ocorrem as chuvas de meteoros?
As chuvas de meteoros acontecem quando a Terra atravessa regiões do espaço preenchidas por partículas deixadas principalmente por cometas.
Ao se aproximar do Sol, um cometa libera poeira, gelo e pequenos fragmentos. Parte desse material permanece distribuída ao longo de sua órbita.
Quando a Terra cruza essa trilha, as partículas entram na atmosfera em alta velocidade. O contato com o ar aquece e ioniza os gases ao redor do fragmento, produzindo o risco luminoso popularmente chamado de estrela cadente.
Na maioria das vezes, as partículas são menores que uma pedra ou até mesmo que um grão de areia. Elas se desfazem antes de alcançar o solo e não representam perigo para quem acompanha o fenômeno.
De onde vêm os meteoros desta madrugada?
As Delta Aquáridas do Sul são associadas, provavelmente, ao cometa 96P/Machholz, embora a origem exata da corrente ainda seja objeto de estudos.
Já as Alfa Capricornídeas estão relacionadas ao cometa 169P/NEAT. Os meteoros dessa corrente atravessam a atmosfera a aproximadamente 23 quilômetros por segundo, velocidade relativamente baixa quando comparada à de outras chuvas.
A velocidade menor ajuda a produzir rastros mais lentos e visualmente marcantes, característica que tornou as Alfa Capricornídeas conhecidas pelas bolas de fogo.
Como fotografar um meteoro com o celular ou câmera
Registrar uma estrela cadente exige paciência, porque o fenômeno acontece rapidamente e em uma região imprevisível do céu.
Em câmeras com controles manuais, o recomendado é utilizar um tripé, uma lente com campo amplo e uma exposição de vários segundos. Um tempo próximo de 10 segundos pode servir como ponto de partida, acompanhado de ISO elevado e foco ajustado para o infinito.
No celular, o modo noturno ou profissional pode ajudar. O aparelho deve permanecer completamente imóvel, apoiado em um tripé ou superfície estável.
Também é importante apontar a câmera para longe da Lua. Caso contrário, a claridade poderá deixar a imagem excessivamente iluminada e apagar os rastros mais fracos.
A melhor estratégia é produzir várias fotografias consecutivas. Quanto maior o período de captura, maiores serão as chances de um meteoro atravessar o enquadramento.
Próxima grande chuva terá condições melhores
Quem não conseguir acompanhar o fenômeno desta madrugada terá uma nova oportunidade em agosto.
As Perseidas atingirão o pico entre os dias 12 e 13 de agosto de 2026. A Lua estará praticamente nova, criando condições muito mais favoráveis para a visualização de meteoros fracos.
A International Meteor Organization apresenta uma taxa zenital de referência de até 100 meteoros por hora para as Perseidas. Entretanto, essa chuva favorece principalmente observadores do Hemisfério Norte, já que seu ponto radiante fica baixo ou pode não aparecer adequadamente em parte do Hemisfério Sul.
No Brasil, a visibilidade tende a ser melhor nas regiões Norte e Nordeste. Mesmo assim, o desempenho dependerá da latitude, do horário, da nebulosidade e da poluição luminosa.
Vale a pena tentar observar?
A Lua quase cheia impedirá que a madrugada apresente as melhores condições possíveis, mas isso não significa que o fenômeno passará despercebido.
As Delta Aquáridas podem produzir vários rastros ao longo da noite, enquanto as Alfa Capricornídeas aumentam a possibilidade de aparição de meteoros mais brilhantes. Quem estiver em um lugar escuro, com céu aberto e disposição para observar por algum tempo terá mais chances.
O ponto mais importante é não esperar uma sequência contínua de estrelas cadentes. Os meteoros surgem de maneira irregular e podem ser separados por vários minutos.
A observação começa melhor depois da meia-noite e ganha força durante a madrugada. Para aproveitar, basta escolher um local seguro, deixar o celular de lado e permitir que os olhos se acostumem ao céu.
Perguntas frequentes
Que horas será a chuva de meteoros?
A observação pode começar depois da meia-noite, com melhores chances durante a madrugada, especialmente a partir de aproximadamente 1h30.
A chuva de meteoros será visível no Brasil?
Sim. O fenômeno poderá ser observado em diferentes regiões brasileiras, desde que o céu esteja aberto e o local tenha pouca iluminação artificial.
Quantos meteoros poderão ser vistos?
As Delta Aquáridas do Sul têm uma taxa zenital estimada em até 25 meteoros por hora. O número realmente observado tende a ser menor por causa da Lua quase cheia e das condições de cada local.
É necessário usar telescópio?
Não. Chuvas de meteoros devem ser observadas a olho nu, pois os meteoros podem aparecer em qualquer parte do céu.
Para qual direção devo olhar?
Procure uma região ampla e distante da Lua. Não é obrigatório olhar diretamente para a constelação de Aquário ou de Capricórnio.
A chuva de meteoros oferece algum risco?
Não. A maior parte das partículas é muito pequena e se desfaz completamente na atmosfera antes de chegar ao solo.
Será possível fotografar com o celular?
Sim, especialmente em aparelhos com modo noturno ou profissional. O celular deve ficar imóvel, preferencialmente em um tripé, e apontado para uma área escura do céu.
Quando será a próxima chuva de meteoros?
As Perseidas atingirão o pico entre 12 e 13 de agosto de 2026. A ausência de luar intenso deverá favorecer a observação, principalmente no Hemisfério Norte.



