Astrônomos conseguiram acompanhar com detalhes extraordinários a morte explosiva de uma estrela massiva localizada em uma galáxia a cerca de 500 milhões de anos-luz da Terra. A observação começou praticamente no primeiro instante detectável da explosão, quando um telescópio espacial registrou um rápido clarão de raios X, e prosseguiu durante meses com uma rede internacional de observatórios.

O evento, posteriormente denominado SN 2026gzf, começou a chamar atenção em 21 de março de 2026, quando o telescópio espacial chinês Einstein Probe identificou um breve sinal de raios X conhecido como EP260321a. Pouco depois, telescópios terrestres começaram a observar a mesma região e descobriram uma supernova crescendo rapidamente em brilho.

O primeiro clarão foi interpretado como um shock breakout, ou rompimento da onda de choque: o momento em que a onda gerada pelo colapso e explosão da estrela consegue atravessar suas camadas externas ou o material que a envolve, liberando uma intensa emissão de alta energia. Essa etapa pode durar de segundos a horas e é extremamente difícil de flagrar.

A sequência de observações permitiu reconstruir não apenas a explosão, mas também parte da história da estrela antes de morrer. Os pesquisadores descobriram sinais de episódios intensos de perda de massa e várias camadas de material ao redor do astro, oferecendo uma visão incomum das últimas fases da vida de uma estrela massiva.

O que os astrônomos observaram?

O caso começou com um sinal que, à primeira vista, durou muito menos do que a própria supernova.

O Einstein Probe detectou um rápido pulso de raios X vindo de uma galáxia relativamente próxima em termos cosmológicos.

Clarão surgiu em 21 de março de 2026

O evento recebeu inicialmente a designação EP260321a.

O sinal de raios X apresentou características térmicas compatíveis com a liberação de energia provocada pela passagem de uma onda de choque pelo material que cercava a estrela.

Primeira luz denunciou a explosão

Quando uma estrela massiva sofre o colapso de seu núcleo, uma enorme quantidade de energia é liberada.

Uma onda de choque começa a se deslocar para fora e, eventualmente, rompe as camadas externas da estrela ou o material lançado pelo astro antes da explosão.

Esse instante produz o chamado shock breakout.

Por que esse primeiro clarão é tão difícil de observar?

O problema principal é sua curta duração.

Uma supernova pode permanecer visível por semanas ou meses, mas seu primeiro clarão em raios X pode durar apenas segundos, minutos ou algumas horas.

Telescópio precisa estar olhando no momento certo

Astrônomos normalmente descobrem supernovas depois que elas já começaram a aumentar de brilho no espectro visível.

Nesse ponto, informações valiosas sobre os primeiros instantes podem ter desaparecido.

Apenas outro caso claro havia sido registrado

Segundo pesquisadores envolvidos na descoberta, apenas um outro rompimento de choque em raios X havia sido identificado com segurança nas duas décadas anteriores.

A raridade fez da SN 2026gzf uma oportunidade excepcional.

Astrônomos começaram a observar em menos de uma hora

Assim que o Einstein Probe detectou o sinal, alertas permitiram mobilizar telescópios em diferentes partes do planeta.

Dentro de aproximadamente uma hora, observatórios terrestres já estavam acompanhando a fonte.

Supernova começou rapidamente a aparecer

As observações mostraram uma fonte óptica aumentando de brilho.

Posteriormente, ela recebeu a designação SN 2026gzf.

Observação continuou durante meses

Uma rede internacional de telescópios acompanhou mudanças no brilho, no espectro e em outras propriedades da explosão.

Isso permitiu aos cientistas construir uma das sequências observacionais mais completas já obtidas para um evento desse tipo.

A estrela estava a 500 milhões de anos-luz

A supernova aconteceu em uma galáxia a aproximadamente 500 milhões de anos-luz da Terra.

Isso significa que a explosão não ocorreu realmente em março de 2026.

Luz viajou durante centenas de milhões de anos

O que chegou aos telescópios em 2026 era a luz produzida pelo evento cerca de 500 milhões de anos atrás.

Astrônomos observaram o passado distante

Quando telescópios apontam para objetos extremamente distantes, eles também observam épocas anteriores do Universo.

Nesse caso, a informação sobre a morte da estrela passou centenas de milhões de anos atravessando o espaço antes de alcançar a Terra.

Que tipo de estrela explodiu?

Os pesquisadores concluíram que a estrela progenitora provavelmente era uma Wolf-Rayet.

Esses astros representam uma fase evolutiva de determinadas estrelas extremamente massivas.

Estrela nasceu com cerca de 20 massas solares

A equipe da Universidade de Maryland estima que a progenitora tenha nascido com aproximadamente 20 vezes a massa do Sol.

Isso não significa que ainda possuísse toda essa massa no momento da explosão.

Astro perdeu enorme quantidade de matéria

Antes de morrer, estrelas Wolf-Rayet podem lançar grandes quantidades de material para o espaço por meio de ventos poderosos e episódios de perda de massa.

A progenitora da SN 2026gzf aparentemente passou justamente por esse processo.

Estrela já havia perdido hidrogênio e hélio

Um dos detalhes mais importantes é que suas camadas externas já haviam sido arrancadas antes da explosão.

Segundo os pesquisadores, a estrela havia eliminado o hidrogênio e o hélio de suas regiões externas.

Carbono e oxigênio ficaram expostos

Depois dessa perda de matéria, a estrela passou a ser formada externamente principalmente por elementos como carbono e oxigênio.

Tipo de supernova revelou essa composição

A ausência de sinais fortes de hidrogênio e hélio ajudou os astrônomos a classificar o evento.

A SN 2026gzf pertence a uma classe conhecida como supernova Tipo Ic de linhas largas, ou Ic-BL.

O que é uma supernova Tipo Ic-BL?

Supernovas do Tipo Ic acontecem quando estrelas massivas que perderam as camadas externas entram em colapso.

A sigla BL vem da expressão inglesa “broad-lined”, ou linhas largas.

Material é lançado em velocidades enormes

As linhas espectrais aparecem alargadas porque a matéria expelida pela explosão está viajando a velocidades muito elevadas.

Em alguns estudos sobre a SN 2026gzf, velocidades iniciais próximas de 30 mil quilômetros por segundo foram estimadas para parte do material.

Explosão foi extremamente energética

Esse tipo de supernova está entre os eventos estelares mais energéticos conhecidos.

E justamente por isso os astrônomos esperavam encontrar outro fenômeno associado.

Cientistas esperavam uma explosão de raios gama

Supernovas Ic-BL frequentemente aparecem associadas a explosões de raios gama, conhecidas pela sigla GRB.

Esses eventos estão entre as manifestações mais energéticas do Universo.

Jatos podem viajar próximos à velocidade da luz

Em determinados colapsos estelares, o objeto compacto recém-formado consegue lançar jatos extremamente rápidos.

Esses jatos atravessam a estrela e seguem para o espaço.

Mas a SN 2026gzf não produziu um GRB detectável

Apesar de apresentar várias características semelhantes às supernovas associadas a explosões de raios gama, nenhum GRB correspondente foi identificado.

Essa ausência se tornou uma das partes mais interessantes da descoberta.

O jato pode ter ficado preso dentro da estrela

Uma das explicações consideradas pelos pesquisadores é a existência de um choked jet, ou jato sufocado.

Nesse cenário, o mecanismo central consegue iniciar um jato, mas ele não possui energia suficiente para atravessar toda a matéria ao seu redor.

Jato teria começado a escapar

A energia seria lançada a partir das regiões internas após o colapso.

Mas a estrela ou o material expelido antes da explosão poderia bloquear sua passagem.

Material impediria nascimento do GRB

Sem conseguir escapar para o espaço, o jato não produziria a assinatura típica observada em grandes explosões de raios gama.

O estudo liderado por Brendan O’Connor considera um fluxo fracamente relativístico e sufocado pela estrela como uma explicação plausível para o evento.

Chandra procurou sinais do jato

Para testar a hipótese, os astrônomos recorreram ao Observatório de Raios X Chandra, da NASA.

O objetivo era procurar um brilho residual que normalmente apareceria se um jato relativístico poderoso tivesse conseguido escapar.

Nenhuma fonte foi encontrada

As observações não detectaram o pós-brilho em raios X esperado para um GRB convencional.

Sensibilidade era suficiente

Segundo a equipe da Carnegie Mellon University, a distância relativamente favorável da supernova permitiu atingir uma sensibilidade capaz de detectar quase todos os pós-brilhos conhecidos de explosões de raios gama equivalentes.

A ausência do sinal colocou limites importantes sobre a energia de qualquer jato que pudesse ter existido.

Radiotelescópios também procuraram evidências

Os cientistas complementaram as observações em raios X com dados de rádio.

O Karl G. Jansky Very Large Array esteve entre os instrumentos utilizados.

Rádio também não revelou jato poderoso

Combinadas, as observações em rádio e raios X descartaram um jato relativístico convencional semelhante aos encontrados em GRBs conhecidos.

Explosão ocupa posição incomum

A SN 2026gzf parece ocupar uma região intermediária entre supernovas mais convencionais e eventos extremamente energéticos associados a jatos relativísticos.

Esse resultado pode ajudar os pesquisadores a entender por que estrelas aparentemente parecidas podem morrer de maneiras diferentes.

Estrela havia lançado material antes de morrer

A explosão revelou ainda que a região ao redor da estrela estava longe de estar vazia.

O astro havia lançado matéria para o espaço antes do colapso.

Várias camadas cercavam a estrela

A equipe da Universidade de Maryland identificou uma estrutura próxima e compacta de material, além de uma região mais extensa.

Primeira camada produziu raios X

O material mais próximo teria desempenhado papel fundamental no clarão de alta energia inicialmente captado pelo Einstein Probe.

Quando a onda de choque atingiu essa região, produziu a forte emissão detectada em raios X.

Shock breakout pode ter acontecido fora da própria estrela

Uma das análises do evento trouxe uma conclusão particularmente interessante.

O rompimento da onda de choque pode não ter acontecido exatamente na superfície original da estrela.

Camada de material estava muito distante

Pesquisadores liderados por Weimin Yuan calcularam que a onda pode ter emergido de uma camada circundante situada a cerca de 300 raios solares do centro da estrela.

Material teria sido expelido pouco antes

Os cálculos indicam que parte desse material pode ter sido lançada apenas cerca de um mês antes do colapso.

Isso seria uma evidência direta de comportamento extremamente instável na reta final da vida da estrela.

Estrela dava sinais de instabilidade há anos

Os cientistas também conseguiram olhar para imagens obtidas antes da explosão.

Registros antigos do Pan-STARRS revelaram variações no local da progenitora ao longo de aproximadamente 12 anos.

Região ficou mais brilhante antes da explosão

Segundo a análise, a fonte aumentou de brilho em aproximadamente 50% nos três anos finais anteriores ao colapso.

Mudança pode estar relacionada à perda de massa

Os pesquisadores consideram que episódios violentos nas fases finais da fusão nuclear podem ter aumentado a quantidade de matéria expelida pelo astro.

Esse material posteriormente passou a interagir com os destroços da própria supernova.

O que acontece dentro de uma estrela antes da explosão?

Durante grande parte de sua existência, uma estrela permanece relativamente estável graças ao equilíbrio entre duas forças.

A gravidade tenta comprimir o astro, enquanto a energia produzida pela fusão nuclear gera pressão para fora.

Combustível muda ao longo da vida

Estrelas começam fundindo hidrogênio.

Nas estrelas muito massivas, o processo continua com elementos cada vez mais pesados.

Ferro representa um ponto crítico

Quando o núcleo evolui até uma composição dominada por elementos do grupo do ferro, a fusão deixa de fornecer energia suficiente para sustentar o equilíbrio.

O núcleo então pode entrar em colapso rapidamente.

O núcleo pode colapsar em segundos

Enquanto a vida da estrela pode durar milhões de anos, sua etapa final pode acontecer em uma escala surpreendentemente curta.

Quando o suporte contra a gravidade desaparece, o núcleo começa a desabar.

Densidades crescem dramaticamente

O material é comprimido sob condições extremas.

Esse colapso inicia uma sequência de processos capazes de produzir uma onda de choque.

Explosão lança camadas externas

A onda atravessa a estrela e acelera enormes quantidades de matéria para o espaço.

É esse processo que produz a supernova observada a grandes distâncias.

O que restou da estrela?

A observação da SN 2026gzf permite estudar a explosão, mas determinar precisamente o objeto compacto remanescente é mais difícil.

Estrelas muito massivas podem deixar estrelas de nêutrons ou buracos negros.

Massa inicial favorece remanescente compacto

Uma estrela que nasceu com cerca de 20 massas solares está em uma faixa na qual diferentes destinos são possíveis, dependendo de sua evolução e de quanta massa perdeu.

Resultado ainda depende de modelos

Os estudos sobre a SN 2026gzf concentram-se principalmente na física da explosão, no shock breakout, no ambiente circundante e na possível existência de um jato sufocado.

Por isso, não é correto afirmar categoricamente que um buraco negro específico já tenha sido observado no centro da supernova.

Por que os astrônomos dizem que acompanharam a morte do início ao fim?

A expressão se refere ao fato de que os pesquisadores registraram praticamente toda a sequência observacional relevante da explosão.

Eles captaram o primeiro sinal de alta energia e acompanharam o surgimento e a evolução da supernova durante meses.

Não significa que toda evolução terminou

Os destroços da SN 2026gzf continuarão se expandindo e mudando durante anos, séculos e até períodos muito maiores.

Rubin poderá acompanhar o evento por anos

A Carnegie Mellon University destaca que os dados do Observatório Vera C. Rubin ajudarão a acompanhar a evolução de longo prazo do objeto.

Portanto, “do início ao fim” deve ser entendido como a evolução da fase explosiva observada, e não como o desaparecimento definitivo de todos os efeitos da supernova.

Foi realmente a primeira vez?

Não exatamente, se a afirmação for interpretada de forma ampla.

Pesquisadores descrevem a SN 2026gzf como apenas o segundo caso em mais de duas décadas no qual a morte de uma estrela massiva pôde ser acompanhada com tamanha clareza desde o shock breakout em raios X.

Há uma descoberta específica que é inédita

A equipe da Universidade de Maryland afirma que foi a primeira vez que cientistas conseguiram mapear dessa maneira o ambiente anterior à explosão de uma estrela que já havia perdido as camadas de hidrogênio e hélio.

SN 2026gzf também inaugura outra categoria

Segundo o estudo, trata-se da primeira supernova Ic-BL com um shock breakout em raios X definitivamente identificado pelo Einstein Probe.

Além disso, o caso combina uma emissão de alta energia inicial com a ausência de evidências de um jato relativístico convencional.

O que tornou o Einstein Probe decisivo?

O telescópio espacial foi desenvolvido justamente para encontrar fenômenos transitórios no céu de raios X.

Eventos rápidos são particularmente difíceis porque podem desaparecer antes que outros instrumentos consigam apontar para eles.

Grande campo de visão aumenta as chances

Ao monitorar grandes regiões do céu, instrumentos desse tipo aumentam a probabilidade de flagrar acontecimentos imprevisíveis.

Descoberta permitiu reação imediata

O verdadeiro valor da detecção foi também a rapidez do alerta.

Em cerca de uma hora, telescópios terrestres já estavam coletando dados ópticos da região.

Quais telescópios acompanharam a supernova?

A campanha envolveu uma grande quantidade de observatórios terrestres e espaciais.

Entre os instrumentos utilizados estavam o Einstein Probe, Chandra, Very Large Array, Dark Energy Camera, DESI, Zwicky Transient Facility e telescópios na África, Europa, Ásia e nas Américas.

Vera Rubin também forneceu informações

Dados do Observatório Vera C. Rubin contribuíram para acompanhar a evolução da supernova e analisar o local onde a estrela existia antes da explosão.

Diferentes comprimentos de onda revelam partes distintas

Raios X, luz visível e ondas de rádio não mostram exatamente os mesmos fenômenos.

Combinar essas observações permite estudar diferentes regiões e mecanismos físicos da explosão.

Espectros revelaram composição e velocidade

Os astrônomos não observaram apenas o brilho.

Também separaram a luz da supernova em seus diferentes comprimentos de onda utilizando espectroscopia.

Elementos deixam assinaturas na luz

Diferentes átomos produzem padrões característicos.

Isso ajuda a determinar a composição do material lançado pela explosão.

Linhas largas indicaram altas velocidades

O alargamento das linhas espectrais mostrou que os destroços estavam sendo lançados em velocidades extraordinárias.

Esse comportamento ajudou a classificar a SN 2026gzf como uma Ic-BL.

Explosão ajuda a entender estrelas Wolf-Rayet

Uma das grandes perguntas da astronomia é como exatamente as estrelas mais massivas terminam suas vidas.

Nem todas seguem o mesmo caminho.

Algumas produzem jatos poderosos

Em determinados eventos, jatos relativísticos conseguem escapar e dão origem a explosões de raios gama.

Outras explodem sem esses jatos

A SN 2026gzf mostra que uma estrela pode produzir uma supernova Ic-BL extremamente energética sem gerar o GRB esperado.

Diferença pode estar nos últimos momentos

Quantidade de matéria ao redor da estrela, rotação, campo magnético, massa e estrutura interna podem influenciar se um jato consegue ou não atravessar as camadas externas.

Material ao redor funciona como registro da vida da estrela

Uma das analogias mais úteis é imaginar o ambiente circundante como um arquivo.

Cada episódio de perda de massa deixa matéria em determinada distância da estrela.

Camadas guardam informações do passado

Ao medir a posição, composição e velocidade dessas estruturas, os astrônomos conseguem estimar quando foram expulsas.

Supernova ilumina esse arquivo

Quando a explosão atinge as camadas, elas começam a emitir radiação.

Assim, a morte da estrela acaba revelando informações sobre anos ou décadas de sua própria vida.

Observações anteriores mostraram 12 anos de atividade

Dados arquivados indicaram variação no local da estrela durante aproximadamente uma década antes do colapso.

A análise encontrou um aumento significativo de brilho nos últimos anos.

Astro pode ter se tornado cada vez mais instável

As fases finais da fusão nuclear acontecem muito mais rapidamente do que as etapas anteriores.

Essa evolução pode alterar drasticamente o comportamento interno da estrela.

Ondas podem expulsar matéria

Modelos propõem que energia gerada nas fases finais pode contribuir para episódios de intensa perda de massa.

A SN 2026gzf oferece uma rara oportunidade para confrontar essas ideias com dados observacionais.

Descoberta pode ajudar a encontrar mais explosões

A detecção mostra que telescópios de raios X com grande campo de visão podem encontrar eventos que antes passavam despercebidos.

Um estudo estima que, se determinados tipos de supernova produzissem sinais semelhantes com frequência, o Einstein Probe poderia descobrir vários desses eventos por ano.

Frequência real ainda é incerta

A quantidade atualmente detectada sugere que nem todas as supernovas Ic-BL produzem shock breakouts de raios X tão luminosos quanto o EP260321a.

Novas descobertas ajudarão a testar modelos

Quanto maior a amostra, mais fácil será determinar quais estrelas produzem jatos, quais os sufocam e quais condições antecedem cada tipo de explosão.

Evento pode ajudar na busca por ondas gravitacionais

Saber exatamente quando um núcleo estelar colapsou é extremamente valioso.

O shock breakout fornece uma referência temporal muito mais precisa do que descobrir uma supernova dias depois.

Cientistas podem procurar sinais simultâneos

Com o horário do colapso bem delimitado, observatórios podem revisar dados em busca de neutrinos ou ondas gravitacionais produzidos durante o mesmo evento.

Astronomia de múltiplos mensageiros pode avançar

Luz, neutrinos e ondas gravitacionais carregam informações diferentes.

Combinar esses mensageiros pode oferecer uma visão muito mais completa sobre o interior de uma estrela no instante em que ela entra em colapso.

Uma morte estelar registrada desde o primeiro clarão

A SN 2026gzf proporcionou aos astrônomos algo extremamente difícil: um lugar na primeira fila durante uma explosão estelar.

O Einstein Probe registrou o primeiro clarão de raios X em 21 de março de 2026. Dentro de aproximadamente uma hora, telescópios terrestres já acompanhavam a fonte. Nos dias e meses seguintes, uma rede mundial de instrumentos registrou seu aumento de brilho, seus espectros, a velocidade dos destroços e a interação da explosão com o material lançado anteriormente pela estrela.

O resultado revelou uma estrela Wolf-Rayet que nasceu com aproximadamente 20 vezes a massa do Sol, perdeu suas camadas de hidrogênio e hélio e passou por episódios instáveis de perda de matéria antes de morrer.

A supernova apresentou várias características associadas às explosões que produzem poderosos jatos relativísticos, mas esses jatos não apareceram. Uma das principais hipóteses é que um jato tenha começado a se formar e sido sufocado pela própria estrela ou pelo material ao redor.

Mais do que registrar uma explosão espetacular, a observação oferece uma nova forma de estudar os últimos momentos das estrelas mais massivas. Pela primeira vez nesse nível de detalhe para uma progenitora despojada de hidrogênio e hélio, os pesquisadores conseguiram conectar sinais produzidos anos antes da morte, o ambiente construído pela estrela ao seu redor e a explosão final.

FAQ

Qual foi a estrela que os astrônomos viram explodir?

A explosão recebeu o nome de SN 2026gzf. O primeiro sinal em raios X foi registrado como EP260321a pelo telescópio espacial Einstein Probe.

Quando a supernova foi detectada?

O primeiro clarão foi registrado em 21 de março de 2026.

A que distância ocorreu a explosão?

A supernova está em uma galáxia localizada a aproximadamente 500 milhões de anos-luz da Terra.

Que tipo de estrela explodiu?

Os pesquisadores identificaram a progenitora como uma estrela do tipo Wolf-Rayet, um astro massivo que havia perdido suas camadas externas de hidrogênio e hélio.

Quantas vezes maior que o Sol era a estrela?

A equipe da Universidade de Maryland estima que ela tenha nascido com aproximadamente 20 vezes a massa do Sol.

O que é a SN 2026gzf?

É uma supernova Tipo Ic de linhas largas, conhecida pela sigla Ic-BL. Esses eventos resultam da explosão de estrelas massivas despojadas de suas camadas externas e apresentam material viajando a velocidades muito elevadas.

O que foi o clarão detectado pelo Einstein Probe?

Foi interpretado como um shock breakout, fenômeno produzido quando a onda de choque da explosão emerge da estrela ou do material que a envolve e libera uma rápida emissão de raios X e ultravioleta.

Por que detectar um shock breakout é raro?

Porque esse fenômeno dura apenas de segundos a horas. O telescópio precisa estar observando a região praticamente no instante em que a explosão começa.

Foi a primeira vez que astrônomos acompanharam uma estrela morrer?

Não em sentido amplo. Pesquisadores afirmam que é apenas o segundo caso em mais de 20 anos no qual um shock breakout em raios X foi observado com clareza suficiente para acompanhar a morte de uma estrela massiva desde os primeiros momentos.

O que foi observado pela primeira vez?

Entre os resultados inéditos, pesquisadores afirmam ter mapeado pela primeira vez o ambiente pré-explosão de uma estrela que já havia perdido as camadas de hidrogênio e hélio.

A supernova produziu uma explosão de raios gama?

Não foi detectado um GRB associado ao evento, apesar de a supernova apresentar características semelhantes às de explosões que normalmente aparecem acompanhadas desses fenômenos.

O que aconteceu com o jato da estrela?

Uma das hipóteses é que um jato tenha se formado, mas tenha sido sufocado pela estrela ou pelo material circundante antes de conseguir escapar.

O Chandra detectou algum jato?

Não. O Observatório Chandra procurou o pós-brilho em raios X esperado de um jato relativístico poderoso e não encontrou o sinal.

A estrela estava perdendo matéria antes de explodir?

Sim. Observações indicam múltiplos episódios de perda de massa e a presença de diferentes camadas de material ao redor do astro.

Há sinais da estrela antes da explosão?

Sim. Imagens de arquivo mostraram variações na região da progenitora durante aproximadamente 12 anos e um aumento de brilho nos últimos três anos anteriores à explosão.

Os astrônomos ainda vão acompanhar a supernova?

Sim. A evolução dos destroços continua e dados de instrumentos como o Observatório Vera C. Rubin poderão permitir o acompanhamento da SN 2026gzf durante anos.

A explosão aconteceu realmente em 2026?

Não. Como a estrela estava a cerca de 500 milhões de anos-luz, a explosão aconteceu aproximadamente 500 milhões de anos atrás. Foi apenas em 2026 que sua luz chegou à Terra.

A estrela virou um buraco negro?

A explosão envolve o colapso de uma estrela extremamente massiva e pode ter produzido um objeto compacto, mas os estudos apresentados não permitem afirmar de forma definitiva que um buraco negro específico tenha sido diretamente identificado como seu remanescente.

Por que essa descoberta é importante?

Porque permite conectar o comportamento da estrela antes do colapso, o primeiro instante detectável da explosão, a supernova e sua interação com o material ao redor. Isso ajuda a compreender por que algumas estrelas massivas produzem jatos e explosões de raios gama enquanto outras aparentemente semelhantes não produzem.