O Brasil terá de esperar até 12 de agosto de 2045 para voltar a receber a faixa de totalidade de um eclipse solar. Não significa, porém, que nenhum eclipse do Sol será visto por aqui antes disso. Já em fevereiro de 2027 haverá um eclipse anular, observado como parcial em quase todo o território brasileiro. O que só retorna em 2045 é uma situação muito mais rara: a Lua cobrindo completamente o disco solar em parte do país.
A longa espera tem uma explicação essencialmente geométrica. Eclipses solares acontecem em diferentes pontos da Terra regularmente, mas a região na qual um eclipse total pode ser observado forma uma faixa relativamente estreita sobre o planeta. Para que uma determinada cidade esteja dentro dela, não basta haver Sol, Lua e Terra alinhados: a sombra mais escura da Lua precisa passar exatamente sobre aquele local.
Em 2045, essa combinação finalmente acontecerá novamente sobre o Brasil. A trajetória prevista atravessará áreas das regiões Norte e Nordeste, enquanto grande parte do restante do país poderá acompanhar o fenômeno de maneira parcial.
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Por que um eclipse solar total é tão raro no mesmo lugar?
A Lua passa entre a Terra e o Sol aproximadamente uma vez a cada mês, durante a Lua Nova. Se os três corpos orbitassem exatamente no mesmo plano, seria natural imaginar que teríamos um eclipse solar todos os meses.
Não é isso que acontece.
A órbita da Lua é inclinada cerca de 5 graus em relação ao plano da órbita terrestre ao redor do Sol. Na maioria das Luas Novas, portanto, nosso satélite passa aparentemente um pouco acima ou abaixo do Sol e sua sombra não atinge a superfície terrestre da maneira necessária para produzir um eclipse.
Os eclipses solares só acontecem quando a Lua Nova ocorre suficientemente perto dos chamados nodos, pontos em que a órbita lunar cruza o plano da órbita da Terra.
É aí que começa a explicar a espera brasileira: mesmo quando o alinhamento produz um eclipse, a sombra da Lua pode atravessar qualquer outra região do planeta.
A sombra da Lua é o que determina quem verá o eclipse
Durante um eclipse solar, a Lua projeta diferentes regiões de sombra sobre a Terra. A mais importante para entender a totalidade é a umbra, região mais escura na qual a luz direta do Sol é completamente bloqueada.
Quem estiver dentro da trajetória da umbra vê o Sol desaparecer por completo por alguns instantes. Ao redor dela existe a penumbra, onde somente parte do disco solar é encoberta e o eclipse é parcial.
Essa diferença ficou evidente no eclipse de 12 de agosto de 2026. Sua faixa de totalidade atravessou regiões da Rússia, Groenlândia, Islândia, Espanha e uma pequena área de Portugal. O Brasil ficou totalmente fora da área alcançada pela sombra, inclusive da região de eclipse parcial.
Portanto, não existe uma espécie de calendário que distribua eclipses igualmente entre os países. As trajetórias são resultado das posições e movimentos da Terra e da Lua naquele momento.
O que acontecerá no Brasil em 12 de agosto de 2045?
O cenário muda completamente em 12 de agosto de 2045.
As previsões astronômicas da NASA mostram que a faixa de totalidade do eclipse cruzará a América do Norte, seguirá pelo Caribe e alcançará o norte da América do Sul e o Brasil. A duração máxima da totalidade em toda a trajetória poderá chegar a aproximadamente 6 minutos e 6 segundos, embora esse máximo não ocorra necessariamente em território brasileiro.
No Brasil, as projeções atuais colocam partes de Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco dentro da faixa do eclipse total. Entre as capitais que aparecem no corredor estão Belém, São Luís, João Pessoa e Recife.
Fora dessa estreita faixa, o cenário será diferente: o Sol não desaparecerá completamente, mas o eclipse deverá ser observado como parcial em outras regiões brasileiras. O Observatório Nacional confirma que a totalidade ficará concentrada em áreas do Norte e Nordeste.
Recife terá uma das experiências mais marcantes
Recife está entre as cidades que podem se transformar em pontos privilegiados de observação.
Projeções divulgadas pelo Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (CETENE) indicam que, na capital pernambucana, o ápice ocorrerá por volta das 16h19, com aproximadamente 2 minutos e 44 segundos de totalidade, segundo os cálculos publicados pelo órgão.
Durante esses poucos minutos, o céu perde grande parte de sua luminosidade, a temperatura pode cair e a atmosfera externa do Sol — a corona — torna-se visível ao redor da silhueta escura da Lua.
É justamente essa transformação abrupta que faz um eclipse total ser tão diferente de um eclipse parcial.
O Brasil já esperou décadas desde o último eclipse total
A raridade fica ainda mais evidente quando se olha para o passado.
O último eclipse solar total cuja faixa de umbra passou pelo Brasil ocorreu em 3 de novembro de 1994. Registros e tabelas da NASA mostram que a trajetória daquele eclipse atravessou o sul do território brasileiro depois de passar por outras partes da América do Sul.
Quando o eclipse de 2045 chegar, portanto, terão se passado 51 anos entre duas ocorrências de totalidade sobre alguma parte do Brasil.
Isso não quer dizer que o país tenha ficado meio século sem eclipses solares. Nesse intervalo ocorreram e ainda ocorrerão eclipses parciais e anulares. O que não voltou a acontecer foi a passagem de uma faixa de eclipse solar total pelo território nacional.
Mas haverá eclipse solar no Brasil antes de 2045
Sim — e essa é uma diferença importante.
O próximo fenômeno de interesse para os brasileiros está marcado para 6 de fevereiro de 2027. Será um eclipse solar anular, embora a faixa onde o característico “anel de fogo” ficará completo esteja principalmente sobre o oceano, tangenciando o extremo leste do litoral do Rio de Janeiro.
Segundo o Observatório Nacional, o fenômeno poderá ser acompanhado como eclipse parcial em quase todo o Brasil, com exceção do extremo noroeste do território.
Portanto, dizer que “o Brasil só verá outro eclipse em 2045” seria incorreto. O correto é afirmar que 2045 será o próximo eclipse solar total com faixa de totalidade atravessando o Brasil.
Essa distinção é fundamental.
Total, parcial e anular: qual é a diferença?
Os três fenômenos começam com a Lua passando entre a Terra e o Sol. O resultado observado depende da geometria do alinhamento e também do tamanho aparente da Lua no céu.
No eclipse total, o disco lunar consegue esconder inteiramente a superfície brilhante do Sol para quem está dentro da umbra.
No eclipse parcial, apenas uma parte do Sol é encoberta.
Já no eclipse anular, a Lua está aparentemente pequena demais para cobrir o disco solar por completo. Surge então uma borda luminosa ao seu redor, formando o conhecido “anel de fogo”. A diferença de tamanho aparente ocorre porque a órbita lunar não é perfeitamente circular e a distância entre a Terra e a Lua varia.
Como os astrônomos conseguem saber de um eclipse com décadas de antecedência?
A data de 2045 não é uma estimativa baseada em probabilidades. Os movimentos orbitais da Terra e da Lua são suficientemente conhecidos para que os astrônomos calculem eclipses muitos anos — e até séculos — antes de eles acontecerem.
São considerados elementos como a posição dos dois corpos, velocidade orbital, inclinação da órbita lunar e distância entre Terra, Lua e Sol. A partir desses dados é possível calcular não apenas a data, mas a trajetória aproximada da sombra e a duração da totalidade em diferentes pontos do planeta.
A NASA mantém catálogos com milhares de anos de eclipses passados e futuros. Para 2045, os cálculos indicam inclusive a trajetória da faixa central e o ponto no planeta onde a fase total deverá atingir sua maior duração.
Detalhes muito precisos, especialmente próximos às bordas da faixa, podem ser refinados à medida que o evento se aproxima. A própria NASA observa que irregularidades no relevo da superfície lunar podem alterar os limites previstos em alguns quilômetros e os horários de contato em poucos segundos.
E depois de 2045? A espera será bem menor
Há uma coincidência especialmente interessante no calendário astronômico.
Depois de décadas sem totalidade sobre o Brasil, outro eclipse solar total está previsto para 2 de agosto de 2046, menos de um ano após o fenômeno de 2045. O catálogo da NASA aponta que a faixa desse eclipse também alcançará o Brasil antes de seguir pelo Atlântico em direção à África.
Ou seja: o país enfrentará uma longa espera até 2045 e, logo depois, poderá ter dois anos consecutivos com eclipses solares totais atingindo partes de seu território.
É uma boa demonstração de como a distribuição desses eventos está longe de ser regular para um observador em um ponto específico da Terra.
Olhar para um eclipse exige proteção adequada
O espetáculo de 2045 ainda está distante, mas uma regra não muda: observar o Sol diretamente sem proteção apropriada pode provocar danos graves aos olhos.
Durante as fases parciais de um eclipse, óculos escuros comuns, filmes fotográficos e outros improvisos não tornam a observação segura. A NASA recomenda filtros solares apropriados e ressalta que câmeras, binóculos e telescópios precisam de filtros instalados na parte frontal do equipamento.
O Observatório Nacional também recomenda o uso adequado de proteção específica para observação solar e alerta contra métodos improvisados.
A exceção ocorre somente durante a breve fase de totalidade completa, para quem estiver realmente dentro da faixa onde o Sol estiver 100% encoberto. Antes de a totalidade começar e imediatamente depois de terminar, a proteção volta a ser necessária.
Uma espera longa causada por poucos quilômetros no espaço
A distância até 2045 pode transmitir a impressão de que eclipses totais são extraordinariamente incomuns. Em escala planetária, não é exatamente assim. O problema é estar no lugar certo.
A inclinação da órbita lunar determina quando o alinhamento pode acontecer. Depois disso, a posição da Terra define por onde a umbra passará. E somente quem estiver dentro daquela estreita trajetória terá o privilégio de assistir ao Sol desaparecer completamente.
Em 2026, essa combinação colocou a sombra no Hemisfério Norte. Em 2045, ela finalmente encontrará o Brasil novamente.
Até lá, outros eclipses solares poderão ser acompanhados pelos brasileiros — incluindo o fenômeno de 2027 —, mas nenhum deles produzirá em território nacional o mesmo cenário da totalidade prevista para 12 de agosto de 2045.
Perguntas frequentes
Quando será o próximo eclipse solar total visível no Brasil?
O próximo eclipse solar total cuja faixa de totalidade atravessará o Brasil está previsto para 12 de agosto de 2045. Partes das regiões Norte e Nordeste ficarão dentro do corredor de totalidade.
Quais estados poderão ver o eclipse total de 2045?
As projeções atuais colocam partes de Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco na faixa de totalidade.
Haverá eclipse solar no Brasil antes de 2045?
Sim. Em 6 de fevereiro de 2027, um eclipse solar anular ocorrerá e poderá ser visto como parcial em quase todo o Brasil. A faixa de anularidade ficará principalmente sobre o oceano.
Por que não acontece eclipse solar todo mês?
Porque a órbita da Lua é inclinada cerca de 5 graus em relação ao plano da órbita da Terra. Na maior parte das Luas Novas, a sombra lunar passa acima ou abaixo da Terra em vez de produzir um eclipse.
Quando ocorreu o último eclipse solar total no Brasil?
A última faixa de eclipse total a atravessar o Brasil ocorreu em 3 de novembro de 1994, passando pelo sul do país.
É seguro olhar diretamente para um eclipse solar?
Durante as fases parciais, não. É necessário utilizar proteção solar apropriada. Apenas durante a fase de totalidade completa, para quem estiver dentro da faixa de totalidade, é possível observar o fenômeno diretamente sem o filtro; a proteção deve ser recolocada assim que o Sol começar a reaparecer.



